Carlos Mendes Saraiva nasceu na Ilha de Moçambique em 16 de Novembro,
decorria o ano de 1934. Aí viveu até aos 13 anos de idade. Foi então que os
pais decidiram enviá-lo para  Portugal (Covilhã),  tendo em vista continuar
os seus estudos, em terras que lhe eram totalmente estranhas. Em 16 de No-
vembro de 1954, no dia em que completava os seus 20 anos,  o navio Pátria
acostou ao cais de Lourenço Marques trazendo-o de volta às sua origens.
Embarcou, de seguida, no Zambezi,  de encontro aos seus pais, que o aguar-
davam em Quelimane. Cedo regressou a  Lourenço Marques para cumprir o
serviço militar  (artilharia)  entre os anos de 1956 / 57.  Após findo o serviço
 
 
militar, regressou a Quelimane, onde abriu a Agência de Viagens "Madal", considerada a melhor do norte de
Moçambique durante anos sucessivos.  Para além de outras actividades, ocupava os tempos livres caçando e
convivendo de perto com a vida selvagem até que,  em 1970, foi convidado por Adelino Serras Pires para
de-sempenhar funções de director  do Acampamento  de Caça do Chitengo,  no Parque Nacional da
Gorongosa,tendo aí permanecido até Março de 1974. Desta sua experiência resultaram as belas imagens
que, a partir de
hoje (15 de Dezembro de 2008), teremos o especial gosto de aqui publicar.
Biografia
         
Após a revolução dita dos "cravos",  Carlos Saraiva mudou-se para Johannesburg, na África do Sul, para aí desempenhar funções de
gerente de reservas do balcão da TAP.  Esta actividade terminou em 15 de Junho de 1988,  passados onze anos, altura em que Carlos
Saraiva decidiu assumir o controlo  de uma Agência de Viagens e de uma Reserva de Caça no Free Sate.  Saudoso da sua terra,
resol-ve regressar a Maputo em 1994, para novamente desempenhar actividade relacionada com o Turismo.
Por motivos de ordem familiar viu-se obrigado a voltar a Johannesburg em 2002, onde vive, desde então. Deixou, por fim, de estar
li-gado ao Turismo e à Vida Selvagem se bem que,  ainda assim, não se sinta alheado por completo de ambas as realidades. Estamos
se-guros de que o contacto que matemos com Carlos Saraiva se irá manter ainda por muitos e bons anos. Deus permita que assim
seja.
 
     
Carlos Saraiva (na
imagem do lado
esquerdo, em primeiro
plano, o segundo a
contar da direita),
acompanhado por
alguns elementos dos
serviços de veterinária,
põe fim às actividades
deste perigoso leão,
com dois tiros certeiros.
A partir de então, foi
possível às populações
dormirem mais
descansadas.
Click sobre a imagem (acima) para poder ler a notícia publicada pelos Notícias da Beira.
Editorial
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Editorial
 
Carlos Mendes Saraiva é um moçambicano de gema, não só por ter nascido na capital histórica e cultural do território mas sobretudo
porque sabe sentir Moçambique como poucos. Para além disso, é também um africano de todos os costados, já que apenas por sete
anos da sua vida, viveu afastado do continente. Assim, o material que aqui vai ser publicado,  de sua autoria,  reflecte de modo muito
particular todas as cambiantes que constituem a sua paleta de cores, usada na obtenção de surpreendentes imagens que retratam o
que outrora foi o
Parque Nacional da Gorongosa. Teve a sorte e o singular privilégio de desempenhar funções que lhe permitiram,
por alguns anos,  conviver de muito perto com as  realidades daquele que já foi,  sem sombra de dúvida,  o melhor Parque Natural de
Fauna Bravia até hoje conhecido. Também nós lhe devemos agradecer por permitir que, com ele, partilhemos estas execelentes lem-
branças que, por si só, constituem um inigualável documento capaz de atestar tudo o que, anteriormente, foi referido. Obrigado.    AJ
Carlos Mendes Saraiva é um moçambicano de gema, não só por ter nascido na capital histórica e cultural do território mas sobretudo
porque sabe sentir Moçambique como poucos. Para além disso, é também um africano de todos os costados, já que apenas por sete
anos da sua vida, viveu afastado do continente. Assim, o material que aqui vai ser publicado,  de sua autoria,  reflecte de modo muito
particular todas as cambiantes que constituem a sua paleta de cores, usada na obtenção de surpreendentes imagens que retratam o
que outrora foi o
Parque Nacional da Gorongosa. Teve a sorte e o singular privilégio de desempenhar funções que lhe permitiram,
por alguns anos,  conviver de muito perto com as  realidades daquele que já foi,  sem sombra de dúvida,  o melhor Parque Natural de
Fauna Bravia até hoje conhecido. Também nós lhe devemos agradecer por permitir que, com ele, partilhemos estas execelentes lem-
branças que, por si só, constituem um inigualável documento capaz de atestar tudo o que, anteriormente, foi referido. Obrigado.    AJ
Todas as imagens aqui  publicadas estão
protegidas por copyright. A sua publica-
ção e/ou veiculação  por qualquer outro
meio, são permitidas, desde que mencio-
nado  o seu  autor e a sua  proveniência.
e se não visar fins lucrativos.
Pode  incorrer em  incumprimento quem
não observe  as circunstâncias  anterior-
mente  descritas,  sendo  passível a apli-
cação de medidas, nos termos da lei. AJ
Para qualquer outro assunto não referido
no quadro ao lado ou para obter informa-
ções  suplementares, deverão os interessa-
dos enviar mensagem ao autor utilizando,
para isso, o  quadro de  mensagens publi-
cado ao fundo da página, preenchendo-o.
Podem ainda utilizar o mesmo espaço pa-
ra poderem  enviar os vossos comentários.
Os nossos agradecimentos pela vossa visi-
ta e também pela vossa compreensão.  AJ
 
Uma  das  espécies  que  mais entusiasmo causava  aos visitantes  do Parque Nacional da
Gorongosa era, sem sombra de dúvida,  o leão.  E os efectivos  existentes no  PNG até ao
ano de 1974 eram tão generosos que a esmagadora maioria dos turistas não se despedia
do Parque sem que os tivesse avistado. Claro que aquela peregrina ideia de que a guerra
colonial terá contribuído para a redução, a quase zero,  das populações  residentes no in-
terior do  Parque é pura invenção e constitui apenas uma espécie de  paternalismo balofo,
destinado a agradar a não se sabe quem...
 
 
 
 
Basta  saber-se que a grande maioria das
imagens  aqui   publicadas  foram  obtidas
durante os 2 ou 3 anos que atecederam o
fim da  guerra colonial, logo...   Não vale a
pena  continuar a bater no ceguinho, utili-
zando mesmo  programas de grande nível
em  termos  de  audiência,  como é o caso
da CBS FOX e o seu 60 Minutes.  Não me
passa pela  cabeça que certas afirmações
possam  ser  proferidas  devido  apenas a
uma  ignorância  tão  simples  quanto con-
frangedora vindo,  ainda por cima, de indi-
víduos que deviam estar bem informados.
 
 
A verdade  é  bem outra,  como qual-
quer pessoa  bem informada sabe. A
guerra civil e as atitudes políticas en-
tão tomadas, deram no que deu...
 
 
Quando a Frelimo resolveu transformar o acampamento turístico do Chitengo no
seu  quartel-general, sentenciou o  Parque Nacional da  Gorongosa  à desgraça
a que  ficou sujeita  nos  anos consequentes.  O resultado lógico de tamanha in-
sensatez estava à vista de todos.  Aquela cegueira política,  o regabofe reinante
e a obtusidade dos mandantes de então ditaram o destino do Parque.
 
 
O mal maior é que, segundo parece,
os ensinamentos  que a História tem
proporcionado  aos  governantes de
Moçambique,  não foram  aproveita-
dos nem levados  em linha de conta.
A região continua  a ser politizada e
o Chitengo a  servir de meio para se
poderem atingir certos  fins de índo-
le política nada transparentes.
 
A verdade é que o Parque Nacional da Gorongosa continua lá, magnífico como sempre
foi, aguardando por melhores dias.  A sua impressionante vitalidade e inigualável capa-
cidade regenerativa está à vista de todos. Não existe melhor "salvador" que a Natureza.
 
 
Vamos ter de esperar muitos e longos anos até que as
largas  dezenas  de leões então  existentes,  tenham a
oportunidade e as condições  para poderem ser repos-
tas.  Sabendo,  como se sabe,  a  enorme  importância
que, a diversos níveis, o Parque Nacional da Gorongo-
sa tem para o País,  é desejável que as entidades com
responsabilidades  na matéria tomem  as atitudes mais
consentâneas relativamente às realidades actuais.
Deve  dizer-se,  em abono da verdade,  que  o  Parque
Nacional da Gorongosa necessita  de especial atenção
no que respeita a fiscalização,  manutenção  e também
protecção. Só assim será salvo e retomará o caminho.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Seria ardente desejo (de todos) que estas imagens fossem actuais. Mas não são.
Temos,  no entanto,  a inabanável certeza de que,  um dia, outros felizes contem-
plados vão ter  a possibilidade de obter  fotografias idênticas a  estas  que aqui, e
agora, se publicam. Será, por certo, apenas uma questão de tempo.
 
FAÇA CLICK SOBRE AS IMAGENS PARA AS PODER AMPLIAR
FAÇA CLICK SOBRE AS IMAGENS PARA AS PODER AMPLIAR
 
OS REIS DA SELVA
OS REIS DA SELVA
 
AS MANADAS DE BÚFALOS DESAPARECIDAS
AS MANADAS DE BÚFALOS DESAPARECIDAS
 
 
As últimas contagens efectuadas antes da independência de Moçambique, indica-
vam a existência de cerca de 14.000 búfalos no Parque Nacional da Gorongosa.
 
 
A guerra civil  foi capaz de dizimar, quase
na  totalidade,  o impressionante  efectido
então existente.
Em finais de 2007, segundo contagens en-
tão efectuadas, haveria cerca de 185 indi-
víduos da  espécie.  E este  efectivo existe
hoje graças ao repovoamento  entretanto
efectuado pela nova Administração.
 
 
 
É, com muita tristeza, que se conclui que apenas uma destas manadas, tinham
mais efectivos, relativamente ao que hoje existe em todo o Parque.
 
 
Era, na verdade,  um espectáculo
ímpar e imponente, observar uma
tão  grande  quantidade de indiví-
duos da mesma espécie.
Para  que  tal possa vir  a suceder
de novo,  muitos  e bons anos irão
ser necessários,  a par de enormes
e diversos esforços a levar a cabo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRINCADEIRAS DE LEÃO
BRINCADEIRAS DE LEÃO
Imagens de Carlos Mendes Saraiva
 
 
     
   
     
 
 
São imagens que dispensam qualquer espécie de comentário, a não ser o grande carinho que sentimos
quando as vemos.  É impossível não se sentir  uma certa nostalgia por se saber que repetir imagens co-
mo estas é, nos dias que correm, extremamente difícil, no mesmo local onde estas foram recolhidas.
São imagens que dispensam qualquer espécie de comentário, a não ser o grande carinho que sentimos
quando as vemos.  É impossível não se sentir  uma certa nostalgia por se saber que repetir imagens co-
mo estas é, nos dias que correm, extremamente difícil, no mesmo local onde estas foram recolhidas.
 
       
     
O acampamento do Chitengo foi, e ainda é, um local deveras apra-
zível onde, crianças e adultos, podiam conviver com algumas espé-
cies de animais  bravios que aprendiam  a relacionar-se  com a es-
pécie humana, muito facilmente.  Tucas,  zebras,  javalis, grows co-
roados e babuínos são algumas das espécies que podemos obser-
var no interior do acampamento.  Trata-se apenas de um aperitivo,
como que a  preparar uma incursão pelo interior do Parque,  acon-
tecimento sempre com cheiro a aventura. Nunca se sabe o que va-
mos encontrar, ao percorrermos as picadas do Parque.
       
 
Aos mais "sortudos" era-lhes permitido chegar ao Chitengo de avião. Mas a grande maioria tinha de o fazer por terra.
       
 
Os acessos são bem melhores, hoje em dia. Em meados dos anos 70, a actual ponte de acesso ainda não estava pronta.
       
 
Nesses tempos, a travessia do rio era uma verdadeira epopeia. De batelão... e uma pequena ponte, ambos de tambores...
 
PELOS CAMINHOS DO CHITENGO
PELOS CAMINHOS DO CHITENGO
       
 
Valia sempre a pena participar nessa aventura... até porque, mais tarde, chegaria a recompensa: a chegada ao Chitengo.
 
 
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Música de fundo:
"Calcuta" - L. Welk
       
 
 
       
 
A chegada  ao Chitengo  é  sempre um acontecimento Para
quem chega  em dias de  calor intenso sempre pode refres-
car-se na piscina ou,  muito simplesmente,  tomar uma bebi-
da bem fresca. Para os que chegam a tempo das refeições,
o restaurante aí está, para lhes satisfazer o apetite. Os que
chegam ao anoitecer,  vão encontrar  um local  acolhedor e
cómodo, para aí poder dar descanso ao corpo necessitado.
 
Em qualquer dos casos, tem sempre uma nova aventura à espera: uma incursão pelas picadas do Parque.
       
 
Existe uma enorme variedade de espécies à espera de ser observada. Mas isso é assunto para a próxima publicação.
 
Até à próxima e... bons safaris!
 
 
 
 
 
 
 
A EXTRAORDINÁRIA BELEZA DAS AVES DA GORONGOSA   Carlos Saraiva
A EXTRAORDINÁRIA BELEZA DAS AVES DA GORONGOSA   Carlos Saraiva